quinta-feira, 5 de julho de 2012

REA

“Recursos Educacionais Abertos são materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros. O uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e o reuso potencial dos recursos publicados digitalmente. Recursos Educacionais Abertos podem incluir cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, testes, software, e qualquer outra ferramenta, material ou técnica que possa apoiar o acesso ao conhecimento.”
Como entender o direito a educação se não pudermos acessar livremente livros, jornais, revistas, ao conhecimento produzido?

sábado, 23 de junho de 2012

Saudade do cheiro que Macarani tinha no São João.
Cheiro de fornos varridos com cipó de assa-peixe, onde se assavam os porcos e bodes cuidados com carinho o ano todo. Onde se assava biscoitos que as crianças modelavam com as letras.Onde se assavam os acordos e juras para o próximo ano; as esperas pelos queridos que moravam em São Paulo.
Percebi que Macarani mudou, foi uma mudança imperceptível para muitos, boas para outros, para mim foi inevitável. Minha memória olfativa me diz que a Macarani que cheirava alegrias em junho, não existe mais, em seu lugar temos uma cidade inodora, asséptica, mais higiênica. Mas, hoje, para mim, bem mais triste.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O processo de autoria em tempos de letramento


Diante dos novos contextos e emergências sociais tornam-se necessárias palavras que passem a nomear adequadamente estas novas demandas discursivas .Isto acontece, por exemplo, quando o termo alfabetização , associado à aquisição da tecnologia escrita , não comporta mais a amplitude das diversas formas de realização da comunicação humana hoje realizadas através das modernas tecnologias , surgindo daí a necessidade de usarmos um termo mais amplo como letramento que apesar de gerar controvérsias amplia o significado de alfabetização .Dentro desta perspectiva mais ampla, o termo letramento põe o leitor imerso em mundo de signos escritos ou não, com múltiplas significações e com os quais ele pode interagir, intervir e reconstruir o próprio texto.
O leitor que até um tempo atrás era um simples consumidor do produto feito pelo autor , passa a ter um outro papel o de co-autor, podendo interferir no texto , se apropriar dele e dá-lhe novas significâncias, o que não quer dizer a cópia simples.O processo de co-autoria requer uma interferência no texto, o processo de significação é mais que a decodificação do texto(alfabetização) é a apropriação ativa(letramento) onde o leitor/autor passa a atuar,seja na construção do significado trazendo sua experiência e expectativas tanto quanto na atuação direta do texto , modificando-o.
Esta mudança na relação leitor/texto parece ter provocado uma ocultação da pessoa do autor, que deixou a primazia do direito divino de escrever e desapareceu a partir do momento que outras pessoas também puderam e passaram a atuar em sua produção.Desta forma, o aparato tecnológico oferecido pela cultura digital,proporcionou estas possibilidades de imbricamento nas funções de leitor e autor o que só pode ser possível também pelo entrelaçamento dos processos de alfabetização e letramento,que permitem ao leitor/co-autor não só decodificar o texto mas também decodificar e interferir no mundo.



Foto:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgOjfS70AlLcuWLRRJ6gqmedmwWaQgDSAIhyphenhyphen3lYNGj_y8o-In2cqzq4JtdO802bRqfXZcCary26gDvVWsz_AjcqaigI-ZRAWR8Ba0tOFMfUkBrVAWFSTEjLNjp-gXatd1hSTECAsnP9rRY/s320/imagem+alfabetiza%C3%A7%C3%A3o.jpg

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mobilidade


As tecnologias móveis provocaram uma revolução no modo de vida dos brasileiros.Mesmo sem analisarmos a falta de acesso a elas que ainda afeta milhões , não há como ignorarmos este fenômeno da atualidade proporcionado pelo acentuado desenvolvimento tecnológico que se inseriu em todas as camadas da população, independente da classe econômica.
A convergência de diversas funções em aparelhos cada vez mais modernos proporcionam aos usuários o acesso quase ilimitado tanto à informação quanto a arquivos pessoais e através deste aparelhos todos podem estar conectados, aliás estar conectado significa “estar no mundo” pertencer a um mundo onde a informação e o conhecimento circulam aparentemente sem amarra,navegar pelo mar da internet em portos cada vez mais, menores e multifuncionais.
Porém, no contexto educacional a realidade é bem diferente, enquanto o mundo caminha a passos largos para a conectividade , a escola mantem-se quase à revelia destas mudanças, as políticas públicas de inclusão digital para a educação , quando conseguem sair do papel já estão em adiantado estágio de defasagem tecnológica.De um lado um discurso bonito proferido em cartilhas e documentos oficiais , e ,no entanto,há a prática.Mesmos os bonitos discursos oficiais deixam nas entrelinhas questões em aberto que vão desde ações que põem o direito do povo abaixo de interesses das grandes empresas de telecomunicações ,até a prática de censura prévia feita pelas escolas a sites e conteúdos que não são “educativos”, passando por formação de professores,conceitos deturpados e ou deteriorados,defasagem na produção da tecnologia e do conteúdo,entre muitas mais.Um bom exemplo disto é o único programa de tecnologia móvel do governo brasileiro aplicado à educação, o UCA, ainda não ter sido implantado e já estar defasado tecnologicamente. 
Conectividade e educação parecem estar unidas em sua gênese de transformar a sociedade mas, devido a falta de seriedade na execução de políticas públicas efetivas e eficazes para a inclusão digital, uma a educação , parece estar em lado oposto a outra, a conectividade.

segunda-feira, 9 de maio de 2011


Co-labor-ação X Co-operar-ação




Cotidianamente usamos os termos colaboração e cooperação indistintamente ,porém , a existência de dois termos diferentes já sugere que eles tenham características distintas. Dentro do cenário da cultura digital o trabalho coletivo torna-se cada vez mais independente da presença física dos colaboradores, alcançando em certos casos a total indiferença relativa à sua localização geográfica e permitindo grande flexibilidade de horário ,e consequentemente ,o uso cristalizado destes termos como sinônimos nos impõe resgatar questionamentos e tentar diferenciá-los,defini-los,caracterizá-los e , principalmente, relacioná-los com a aprendizagem mediada pelas Tic.

Colaborar (co-labore) significa trabalhar junto, que implica no conceito de objetivos compartilhados e uma intenção explícita de somar algo - criar alguma coisa nova ou diferente através da colaboração, se contrapondo a uma simples troca de informação ou passar instruções. Cooperação é definida como co-operação, isto é cooperar na ação é operar em comum.
Existe um conjunto variado de aspectos que distinguem os conceitos de cooperação e colaboração. Percebemos que a diferença fundamental entre os conceitos de colaboração e cooperação reside no fato de que para haver colaboração o indivíduo deve interagir com o outro existindo ajuda - mútua ou unilateral. Para existir cooperação deve haver interação, colaboração mas também objetivos comuns, atividades e ações conjuntas e coordenadas. A atividade colaborativa é antes de tudo mais voluntária, assenta em fatores de motivação intrínseca, apela à autonomia e combina processos de trabalho individual e coletivo. A colaboração possui duas forças de impulsão inter relacionadas: o grupo, como agente de apoio individual, e o indivíduo, cujo envolvimento para colaborar repousa no seu interesse em partilhar com o grupo a realização das tarefas.Em relação à realização da tarefa, a cooperação, contrariamente à colaboração, pressupõe uma tarefa distribuída entre os vários elementos do grupo de trabalho. Na cooperação a ênfase recai na realização da tarefa pelo grupo, baseada em subtarefas de cada um.
O trabalho colaborativo não é a soma ou justaposição dos trabalhos individuais, são necessárias uma maior implicação do grupo, estabelecimento de objetivos comuns e coordenação da atividade,este tipo de trabalho tornou-se nos ambientes virtuais um fenômeno cada vez mais frequente e pode ser visto tanto como uma estratégia pedagógica tanto quanto, como uma filosofia ou estilo de vida, um bom exemplo é a comunidade de prática que é constituída por uma comunidade virtual de aprendizagem, na qual se assume uma postura problematizadora e se articulam interesses e objetivos comuns, ações, diálogos, experiências, discursos reflexivos e histórias compartilhadas, possibilitando implicações para uma possível ressignificação da prática da aprendizagem, agora construída coletivamente.
Constata-se que a cooperação e a colaboração têm uma importância crescente nos modernos contextos educativos, tanto em processos de formação inicial e continuada de professores, ou qualquer grupo profissional, como também dentro das escolas. Essas comunidades podem ser formadas por professores e estudantes, caracterizando-se em espaços formativos, nos quais torna-se possível o compartilhamento de experiências, ideias, informações, materiais, conceitos, conhecimentos, entre outros, podendo propiciar o desenvolvimento e a transformação da prática pedagógica,onde todos passam a atuar em ambientes virtuais de aprendizagem e criam uma nova modalidade de interação .Neste novo ambiente de aprendizagem, os alunos aprendem a potencializar os recursos de uma forma cooperativa, nele enfoque fundamental é o processo, é a percepção de que o aluno passa a ser um elemento privilegiado, capaz de imaginar, criar e interagir. Cabe ao educador, intermediado pelas novas tecnologias, instigar, motivar, desafiar e orientar este processo de construção conjunta e constante.

sábado, 23 de abril de 2011

Afinal, o que é exclusão?

O que é exclusão?
                        Repensar o senso comum do que é exclusão significa uma rememoração de fatos sociais há muito esquecidos .O meu primeiro contato com o poder deste termo foi no anos noventa quando a Igreja Católica junto a vários movimentos sociais lançaram o Grito dos Excluídos, que normalmente ocorria na rabeira do desfile cívico do 7 de Setembro e  visava mostrar à sociedade envaidecida de suas vitórias que a história tinha produzido uma massa de seres fora de todo processo pelo qual naquele momento se ufanava .O movimento cresceu e foi sufocado pela (psedo)melhoria na qualidade de vida dos brasileiros e pelo sentido tomado por movimentos sociais  dos “sem” e  o termo exclusão foi se conformando como um extenso significado .
                     Haja vista que a neutralidade dos significados e usos dos termos não é tão neutro assim , a palavra exclusão , de cunho negativo , vem sendo desvinculada da mídia e discursos oficiais por uma mais positivamente vista que é a palavra inclusão.A expressão exclusão está vinculada a discursos diversos e  divergentes. Há, contudo, um certo sentido da expressão, incorporado ao senso comum, por conta da sua freqüente reprodução nos veículos de    comunicação   social que equivaleria  a falta de     acesso   de  comunidades    em    situação    de   desvantagem  aos   artefatos   construídos pelo homem e que garantiriam sua sobrevivência física .Quando assim o fazemos ,ampliamos o termo para Exclusão Social a unimos a um processo que coloca indivíduos e ou grupos sociais à margem da sociedade. Mas este conceito é complexo e multidimensional na medida em que não é produto de um só fator, mas coexistem, dentro da exclusão, fenômenos sociais diferenciados, tais como o desemprego, a marginalidade, a discriminação, a pobreza, o estigma…
                 A pobreza será sempre a forma mais visível de exclusão, na medida em que, por falta de recursos, o pobre é excluído de sistemas sociais básicos nos domínios do social, econômico, institucional e territorial, e das referências simbólicas abrangendo também formas de privação não material como, por exemplo ,a  situação de falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros. Dá-se ainda através de rupturas consecutivas com a sociedade nas relações afetivas, familiares, de amizade e com o mercado de trabalho e à ausência de cidadania, impedindo a participação plena na sociedade, aos seus diferentes níveis – ambiental, cultural, econômico, político e social.Também, a organização e o funcionamento dos sistemas e instituições parecem alhear-se da realidade, faltando-lhes equidade na oferta de oportunidades para todos.
                A Exclusão Social é, assim, um fato e um fenômeno social, com expressão crescente em nossa sociedade , como forte referência de grandes transformações sociais decorrentes do processo de globalização. Entre tantos aspectos ,a Inclusão Digital torna-se , dentre tantas ,uma das muitas dimensões entre as quais podemos deter nosso olhar, principalmente, devido a grande proeminência que o assunto tem tomado , devido a inserção cada vez mais veloz das TIC na sociedade.A inclusão digital deveria proporcionar ao grande contingente de  excluídos digitais ,dentro do  contexto da sociedade atual , o acesso aos processos de criação, produção e sublimação da informação em conhecimento, isto significa efetivá-los  na sociedade da informação, por meio de políticas que visem ao seu crescimento auto-sustentável de forma colaborativa e gradual, não apenas com medidas emergenciais e paliativas como tem sido as atuais políticas públicas de inclusão digital.Isto significa que o termo  inclusão digital remete à busca da reflexão do global e do local, das condições de sobrevivência (emprego, alimentação, moradia, etc.), do estímulo ao conhecimento novo e à crítica do já existente e da dimininuição das desigualdades sociais.


                     Portanto , a discussão dos termos exclusão/inclusão é contundente e ,por enquanto, finalizadora por Castel quando este se  recusa   em   utilizar   o  conceito   de   exclusão,   pois  o   considera   como   um   termo   que  perdeu sua capacidade explicativa uma vez que todos os processos são explicados da mesma forma ,para ele termo “exclusão” é uma “resposta preguiçosa” às dificuldades de problematizar os diferentes processos que atravessam a sociedade contemporânea e que fazem com que os indivíduos passem de uma situação de integração para uma situação de extrema vulnerabilidade. Podemos pensar com Castel e afirmar que o termo exclusão não é apropriado, pois indivíduos “excluídos” não estão fora da sociedade, eles fazem parte da sociedade numa posição de regulação que permite a manutenção de uma determinada forma de dominação. Podemos  também   pensar   que   o   termo   “inclusão”   tampouco   faz   sentido   se formos coerentes com este raciocínio, uma vez que não se trata de “incluir” no sistema que “exclui” mas sim de transformar a estrutura e a dinâmica sociais, portanto, não se discute a ‘inclusão’ mas sim a transformação do mundo em um lugar de homens iguais .