terça-feira, 17 de maio de 2011

O processo de autoria em tempos de letramento


Diante dos novos contextos e emergências sociais tornam-se necessárias palavras que passem a nomear adequadamente estas novas demandas discursivas .Isto acontece, por exemplo, quando o termo alfabetização , associado à aquisição da tecnologia escrita , não comporta mais a amplitude das diversas formas de realização da comunicação humana hoje realizadas através das modernas tecnologias , surgindo daí a necessidade de usarmos um termo mais amplo como letramento que apesar de gerar controvérsias amplia o significado de alfabetização .Dentro desta perspectiva mais ampla, o termo letramento põe o leitor imerso em mundo de signos escritos ou não, com múltiplas significações e com os quais ele pode interagir, intervir e reconstruir o próprio texto.
O leitor que até um tempo atrás era um simples consumidor do produto feito pelo autor , passa a ter um outro papel o de co-autor, podendo interferir no texto , se apropriar dele e dá-lhe novas significâncias, o que não quer dizer a cópia simples.O processo de co-autoria requer uma interferência no texto, o processo de significação é mais que a decodificação do texto(alfabetização) é a apropriação ativa(letramento) onde o leitor/autor passa a atuar,seja na construção do significado trazendo sua experiência e expectativas tanto quanto na atuação direta do texto , modificando-o.
Esta mudança na relação leitor/texto parece ter provocado uma ocultação da pessoa do autor, que deixou a primazia do direito divino de escrever e desapareceu a partir do momento que outras pessoas também puderam e passaram a atuar em sua produção.Desta forma, o aparato tecnológico oferecido pela cultura digital,proporcionou estas possibilidades de imbricamento nas funções de leitor e autor o que só pode ser possível também pelo entrelaçamento dos processos de alfabetização e letramento,que permitem ao leitor/co-autor não só decodificar o texto mas também decodificar e interferir no mundo.



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terça-feira, 10 de maio de 2011

Mobilidade


As tecnologias móveis provocaram uma revolução no modo de vida dos brasileiros.Mesmo sem analisarmos a falta de acesso a elas que ainda afeta milhões , não há como ignorarmos este fenômeno da atualidade proporcionado pelo acentuado desenvolvimento tecnológico que se inseriu em todas as camadas da população, independente da classe econômica.
A convergência de diversas funções em aparelhos cada vez mais modernos proporcionam aos usuários o acesso quase ilimitado tanto à informação quanto a arquivos pessoais e através deste aparelhos todos podem estar conectados, aliás estar conectado significa “estar no mundo” pertencer a um mundo onde a informação e o conhecimento circulam aparentemente sem amarra,navegar pelo mar da internet em portos cada vez mais, menores e multifuncionais.
Porém, no contexto educacional a realidade é bem diferente, enquanto o mundo caminha a passos largos para a conectividade , a escola mantem-se quase à revelia destas mudanças, as políticas públicas de inclusão digital para a educação , quando conseguem sair do papel já estão em adiantado estágio de defasagem tecnológica.De um lado um discurso bonito proferido em cartilhas e documentos oficiais , e ,no entanto,há a prática.Mesmos os bonitos discursos oficiais deixam nas entrelinhas questões em aberto que vão desde ações que põem o direito do povo abaixo de interesses das grandes empresas de telecomunicações ,até a prática de censura prévia feita pelas escolas a sites e conteúdos que não são “educativos”, passando por formação de professores,conceitos deturpados e ou deteriorados,defasagem na produção da tecnologia e do conteúdo,entre muitas mais.Um bom exemplo disto é o único programa de tecnologia móvel do governo brasileiro aplicado à educação, o UCA, ainda não ter sido implantado e já estar defasado tecnologicamente. 
Conectividade e educação parecem estar unidas em sua gênese de transformar a sociedade mas, devido a falta de seriedade na execução de políticas públicas efetivas e eficazes para a inclusão digital, uma a educação , parece estar em lado oposto a outra, a conectividade.

segunda-feira, 9 de maio de 2011


Co-labor-ação X Co-operar-ação




Cotidianamente usamos os termos colaboração e cooperação indistintamente ,porém , a existência de dois termos diferentes já sugere que eles tenham características distintas. Dentro do cenário da cultura digital o trabalho coletivo torna-se cada vez mais independente da presença física dos colaboradores, alcançando em certos casos a total indiferença relativa à sua localização geográfica e permitindo grande flexibilidade de horário ,e consequentemente ,o uso cristalizado destes termos como sinônimos nos impõe resgatar questionamentos e tentar diferenciá-los,defini-los,caracterizá-los e , principalmente, relacioná-los com a aprendizagem mediada pelas Tic.

Colaborar (co-labore) significa trabalhar junto, que implica no conceito de objetivos compartilhados e uma intenção explícita de somar algo - criar alguma coisa nova ou diferente através da colaboração, se contrapondo a uma simples troca de informação ou passar instruções. Cooperação é definida como co-operação, isto é cooperar na ação é operar em comum.
Existe um conjunto variado de aspectos que distinguem os conceitos de cooperação e colaboração. Percebemos que a diferença fundamental entre os conceitos de colaboração e cooperação reside no fato de que para haver colaboração o indivíduo deve interagir com o outro existindo ajuda - mútua ou unilateral. Para existir cooperação deve haver interação, colaboração mas também objetivos comuns, atividades e ações conjuntas e coordenadas. A atividade colaborativa é antes de tudo mais voluntária, assenta em fatores de motivação intrínseca, apela à autonomia e combina processos de trabalho individual e coletivo. A colaboração possui duas forças de impulsão inter relacionadas: o grupo, como agente de apoio individual, e o indivíduo, cujo envolvimento para colaborar repousa no seu interesse em partilhar com o grupo a realização das tarefas.Em relação à realização da tarefa, a cooperação, contrariamente à colaboração, pressupõe uma tarefa distribuída entre os vários elementos do grupo de trabalho. Na cooperação a ênfase recai na realização da tarefa pelo grupo, baseada em subtarefas de cada um.
O trabalho colaborativo não é a soma ou justaposição dos trabalhos individuais, são necessárias uma maior implicação do grupo, estabelecimento de objetivos comuns e coordenação da atividade,este tipo de trabalho tornou-se nos ambientes virtuais um fenômeno cada vez mais frequente e pode ser visto tanto como uma estratégia pedagógica tanto quanto, como uma filosofia ou estilo de vida, um bom exemplo é a comunidade de prática que é constituída por uma comunidade virtual de aprendizagem, na qual se assume uma postura problematizadora e se articulam interesses e objetivos comuns, ações, diálogos, experiências, discursos reflexivos e histórias compartilhadas, possibilitando implicações para uma possível ressignificação da prática da aprendizagem, agora construída coletivamente.
Constata-se que a cooperação e a colaboração têm uma importância crescente nos modernos contextos educativos, tanto em processos de formação inicial e continuada de professores, ou qualquer grupo profissional, como também dentro das escolas. Essas comunidades podem ser formadas por professores e estudantes, caracterizando-se em espaços formativos, nos quais torna-se possível o compartilhamento de experiências, ideias, informações, materiais, conceitos, conhecimentos, entre outros, podendo propiciar o desenvolvimento e a transformação da prática pedagógica,onde todos passam a atuar em ambientes virtuais de aprendizagem e criam uma nova modalidade de interação .Neste novo ambiente de aprendizagem, os alunos aprendem a potencializar os recursos de uma forma cooperativa, nele enfoque fundamental é o processo, é a percepção de que o aluno passa a ser um elemento privilegiado, capaz de imaginar, criar e interagir. Cabe ao educador, intermediado pelas novas tecnologias, instigar, motivar, desafiar e orientar este processo de construção conjunta e constante.

sábado, 23 de abril de 2011

Afinal, o que é exclusão?

O que é exclusão?
                        Repensar o senso comum do que é exclusão significa uma rememoração de fatos sociais há muito esquecidos .O meu primeiro contato com o poder deste termo foi no anos noventa quando a Igreja Católica junto a vários movimentos sociais lançaram o Grito dos Excluídos, que normalmente ocorria na rabeira do desfile cívico do 7 de Setembro e  visava mostrar à sociedade envaidecida de suas vitórias que a história tinha produzido uma massa de seres fora de todo processo pelo qual naquele momento se ufanava .O movimento cresceu e foi sufocado pela (psedo)melhoria na qualidade de vida dos brasileiros e pelo sentido tomado por movimentos sociais  dos “sem” e  o termo exclusão foi se conformando como um extenso significado .
                     Haja vista que a neutralidade dos significados e usos dos termos não é tão neutro assim , a palavra exclusão , de cunho negativo , vem sendo desvinculada da mídia e discursos oficiais por uma mais positivamente vista que é a palavra inclusão.A expressão exclusão está vinculada a discursos diversos e  divergentes. Há, contudo, um certo sentido da expressão, incorporado ao senso comum, por conta da sua freqüente reprodução nos veículos de    comunicação   social que equivaleria  a falta de     acesso   de  comunidades    em    situação    de   desvantagem  aos   artefatos   construídos pelo homem e que garantiriam sua sobrevivência física .Quando assim o fazemos ,ampliamos o termo para Exclusão Social a unimos a um processo que coloca indivíduos e ou grupos sociais à margem da sociedade. Mas este conceito é complexo e multidimensional na medida em que não é produto de um só fator, mas coexistem, dentro da exclusão, fenômenos sociais diferenciados, tais como o desemprego, a marginalidade, a discriminação, a pobreza, o estigma…
                 A pobreza será sempre a forma mais visível de exclusão, na medida em que, por falta de recursos, o pobre é excluído de sistemas sociais básicos nos domínios do social, econômico, institucional e territorial, e das referências simbólicas abrangendo também formas de privação não material como, por exemplo ,a  situação de falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros. Dá-se ainda através de rupturas consecutivas com a sociedade nas relações afetivas, familiares, de amizade e com o mercado de trabalho e à ausência de cidadania, impedindo a participação plena na sociedade, aos seus diferentes níveis – ambiental, cultural, econômico, político e social.Também, a organização e o funcionamento dos sistemas e instituições parecem alhear-se da realidade, faltando-lhes equidade na oferta de oportunidades para todos.
                A Exclusão Social é, assim, um fato e um fenômeno social, com expressão crescente em nossa sociedade , como forte referência de grandes transformações sociais decorrentes do processo de globalização. Entre tantos aspectos ,a Inclusão Digital torna-se , dentre tantas ,uma das muitas dimensões entre as quais podemos deter nosso olhar, principalmente, devido a grande proeminência que o assunto tem tomado , devido a inserção cada vez mais veloz das TIC na sociedade.A inclusão digital deveria proporcionar ao grande contingente de  excluídos digitais ,dentro do  contexto da sociedade atual , o acesso aos processos de criação, produção e sublimação da informação em conhecimento, isto significa efetivá-los  na sociedade da informação, por meio de políticas que visem ao seu crescimento auto-sustentável de forma colaborativa e gradual, não apenas com medidas emergenciais e paliativas como tem sido as atuais políticas públicas de inclusão digital.Isto significa que o termo  inclusão digital remete à busca da reflexão do global e do local, das condições de sobrevivência (emprego, alimentação, moradia, etc.), do estímulo ao conhecimento novo e à crítica do já existente e da dimininuição das desigualdades sociais.


                     Portanto , a discussão dos termos exclusão/inclusão é contundente e ,por enquanto, finalizadora por Castel quando este se  recusa   em   utilizar   o  conceito   de   exclusão,   pois  o   considera   como   um   termo   que  perdeu sua capacidade explicativa uma vez que todos os processos são explicados da mesma forma ,para ele termo “exclusão” é uma “resposta preguiçosa” às dificuldades de problematizar os diferentes processos que atravessam a sociedade contemporânea e que fazem com que os indivíduos passem de uma situação de integração para uma situação de extrema vulnerabilidade. Podemos pensar com Castel e afirmar que o termo exclusão não é apropriado, pois indivíduos “excluídos” não estão fora da sociedade, eles fazem parte da sociedade numa posição de regulação que permite a manutenção de uma determinada forma de dominação. Podemos  também   pensar   que   o   termo   “inclusão”   tampouco   faz   sentido   se formos coerentes com este raciocínio, uma vez que não se trata de “incluir” no sistema que “exclui” mas sim de transformar a estrutura e a dinâmica sociais, portanto, não se discute a ‘inclusão’ mas sim a transformação do mundo em um lugar de homens iguais .

                


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Software Livre e Commons

A humanidade assiste terrificada às mudanças cada dia mais aceleradas em seu modo de vida,e vive , por exemplo,pela primeira vez em sua história, a ameaça de sofrer um cataclismo mundial provocado por suas próprias ações predatórias e depredatórias.A sociedade , pautada em uma concepção hegemônica sobre o direito à propriedade, lança mão de artifícios cruéis e irresponsáveis visando o lucro imediato , muitas vezes sem perceber que estes atos predatórios constroem ao longo do tempo tentáculos que terminarão por sufocá-la.
O homem tenta apropriar-se e patentear o saber agrícola,que é a base da conservação da espécie humana, destruindo os seus modos de produção naturais historicamente concebidos como bem coletivos através da imposição dos transgênicos e tenta patentear a propriedade intelectual moderna, que é de natureza colaborativa,pela imposição do software proprietário.Isto o cerca em seus dois últimos bastiões:sua individualidade e sua coletividade:na dimensão individual coloca em risco sua sobrevivência física e em sua coletividade expropria-lhe a transmissão de conhecimento que sempre ocorreu entre as gerações e no convívio entre seus pares,o que garantia a sobrevivência e continuidade da própria espécie.
Um exemplo claro desta ação predatória são as tentativas das grandes empresas de tecnologia de domínio sobre o software e o embate que se processa entre software proprietário e livre.As empresas de software proprietário ao abrirem mão da possibilidade de ter milhões de usuários colaborativamente construindo,pesquisando e disseminando o conhecimento livremente abrem mão também da própria sobrevivência a longo prazo pois a tecnologia e suas inovações se caracterizam também por serem geograficamente livres.Outro exemplo de ação predatória são as empresas que patenteiam os transgênicos: ao limitarem a produção de alimentos aumentam a fome no mundo e como consequência diminuem os consumidores de sua própria produção, decretando sua própria morte também.
Estas ações predatórias e depredatórias ultrapassam a lógica do mercado e suas consequências podem ser desastrosas para a sociedade contemporânea, a exclusão social que vem em sua esteira é a mais grave de toda história da humanidade, tendo consequências sérias pela dimensão monumental que atinge os mais frágeis elos da sociedade .Não há como pensar , nos dias de hoje, que o sistema cruel de patenteamento de sementes por grandes empresas poderá não provocar fome até mesmo em lugares onde estas empresas não atuam diretamente, isto é impossível em tempos de globalização.Também não há como pensar que alguém não será afetado pela política do software proprietário que restringe o acesso e a circulação de conhecimento e informação produzidos pelo homem.O encarecimento dos serviços e das sementes enriquecerão uma pequena parcela da população ,enquanto que milhares estarão entregues à fome e à exclusão.
Mas, o ser humano também é marcado por sua diversidade.No contraponto da ânsia de dominação e privatização da propriedade e do conhecimento, surgem vislumbres de resistência , um exemplo é o ressurgimento dos commons -espaços institucionais em que podemos usufruir,disseminar informações e conteúdos sem o aval das concessionárias manipuladoras do mercado ,onde cada usuário poderá implantar suas próprias ,ou nenhuma restrição , na disseminação do conhecimento produzido por ele individual ou coletivamente.Esta política de produção,disseminação e armazenamento livres vai de encontro às políticas mercadológicas atuais mas é,antes de tudo, uma forma de luta e resistência ideológica que poderá contribuir para superar o fosso existente entre as imposições da lógica de privatização e o direito imanente do ser humano de acesso livre aos bens e conhecimento produzido pela sociedade.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Correção do texto anterior




Implicações sociais da Web 2.0


O advento da Web 2.0 , não só na dimensão tecnológica como também em suas implicações sociais, é um marco na história da humanidade.O processo de comunicação mediado por computador deixou de ser apenas reativo e passa a ser interativo, isto é , todos podem também ser produtores ou co autores de produtos comerciais,culturais ,científicos ou sociais.A web 2.0 potencializou as relações afetivas com a melhoria das redes sociais,melhorou a circulação e a produção do conhecimento,integrou mundos antes distantes.
Atualmente o conhecimento não se localiza geograficamente nos centros,como era no passado recente , espalha-se perifericamente com a mesma qualidade.Por exemplo,ao adquirir um notebook que veio com o sistema Linux e de maneira nenhuma se adequava ao modem para internet o que causou transtornos horríveis e me obrigava a levar a máquina a todos os lugares onde alguém pudesse me ajudar e nada se resolvia , a loja já estava pronta para receber a bendita máquina de volta, quando eu precisei ir ao interior e meu ex aluno apaixonado por informática instalou a internet em questão de minutos,abismada pela surpresa de que um problema tecnológico não fora resolvido na capital(teria uma pouco de geocentrismo de minha parte nestes tempos de desterritorialização?)perguntei ao meu háker interiorano qual a solução e ele com a mesma cara de aluno me disse que as instruções estavam no modem e não no computador e que isto só foi possível porque as informações que ele necessitava foram trocadas nas comunidades de defesa do software livre.
Disto se conclui que a usabilidade da web 2.0 como plataforma requer um revisão de colaboração onde todos, independente da posição geográfica ,podem participar da construção e disseminação do conhecimento de forma colaborativa .Isto exige,por exemplo, a reformulação da arquitetura da participação, onde alguém ou grupo pode exercer uma mediação que permita aos participantes postar , construir,produzir,disseminar aquilo a que o grupo se propôs, retirando as possíveis vândalos do ambiente que poderiam postar informações erradas ou destruir material já postado.Tem de haver uma valorização do trabalho coletivo, e de reconhecimento do trabalho coletivo como forma de compartilhamento de informações e de serviços, nestes tempos de comunicação ubíqua que se dá em toda a parte.
Conceitos como interatividade, conectividade e colaboratividade ganharam dimensões mais amplas com o advento da web 2.0 , transformando as relações sociais em proporções nunca vista na humanidade ,e as inquietudes se fazem maiores a cada dia, na esteira dos benefícios surgem contrapontos como a invasão de privacidade, os crimes virtuais,a autoria e outros tantos .Porém , o ciclo veloz da história mostra que é preciso estar aberto à mudanças e que agora estas mudanças se dão cada vez mais de forma acelerada .


segunda-feira, 4 de abril de 2011

MAIS REFLEXÕES LÍQUIDAS


Reflexões cada vez mais líquidas

O advento da Web 2.0 , não só na dimensão tecnológica como também em suas implicações sociais, é um marco na história da humanidade.O processo de comunicação mediado por computador deixou de ser apenas reativo e passa a ser interativo, isto é , todos podem também ser produtores ou co autores de produtos comerciais,culturais ,científicos ou sociais.A web 2.0 potencializou as relações afetivas com a melhoria das redes sociais,melhorou a circulação e a produção do conhecimento,integrou mundos antes distantes.Por exemplo, atualmente o conhecimento não se localiza geograficamente nos centros , espalha-se perifericamente com a mesma qualidade,comprei um notebook que veio com o sistema Linux e de maneira nenhuma se adequava ao modem para internet o me causou transtornos, levava a máquina a todos os lugares onde alguém pudesse me ajudar e nada resolvido , a loja já estava pronta para receber a bendita de volta, quando eu precisei vir ao interior e meu ex aluno apaixonado por informática instalou a internet em questão de minutos,abismada pela surpresa de que um problema tecnológico não foi resolvido na capital(geocentrismo em tempos de desterritorialização?)perguntei ao meu háker interiorano qual a solução e ele com a mesma cara de aluno me disse que as instruções estavam no modem e não no computador, tudo bem. A usabilidade da web 2.0 como plataforma requer um re-visão de colaboração onde todos independente da posição geográfica podem participar da construção e disseminação do conhecimento de forma colaborativa.
Tudo isto exige a reformulação da arquitetura da participação, onde alguém ou grupo possa exercer uma mediação que permita aos participantes postar e construir aquilo a que o grupo se propos, retirando as possíveis vândalos,

terça-feira, 29 de março de 2011

Mais reflexões líquidas

Reflexão sobre Modernidade Líquida – Capítulo 5 – Comunidade

A noção de comunidade , tão apregoada nestes tempos, sempre existiu .Seus atuais defensores mais notáveis parecem ter percebido que esta palavra preenche a necessidade do homem pós moderno de pertencimento a um grupo e que e a palavra-chave que unem seus membros é a palavra projeto e que, paradoxalmente,  a sobrevivência do grupo depende do esforço pessoal dos cada um .Isto chama a atenção para tudo aquilo que nos propomos a fazer coletivamente, o discurso da autonomia, de cada um fazer a sua parte para o bem de todos, o  vestir a camisa .Vivemos, os que agora chegam a um grupo, a síndrome do não-pertencimento ,saliento que não é a rejeição, e sim o da não apropriação do espaço construído pelos que aqui já o habitam e que não pintam suas semelhanças nem as exibem,ressaltam apenas que  a comunidade pre existente é uma realização pessoal .
Esta contradição não impede o projeto comunitário ,antes ressignifica-o dentro da nova ordem social. Opostamente ao mundo liquefeito o comunitarismo apresenta-se como um viés para que as pessoas possam sentir-se seguras em companhias de iguais .Mas, os que agora chegam,demoram a ser admitidos no porto seguro dos grupos formados,afinal, o grupo não é o lar natural de ninguém , onde todos fazem parte por direito de nascimento e onde o lado de fora pode exercer atração, mas é instável e inseguro, o grupo poderá me acolher, desde que eu seja par, que eu queira fazer parte,que  possa dar ao grupo aquilo que ele precisa, que meu esforço pessoal seja favorável ao grupo etc. .A vida dentro do grupo pode parecer segura porque exclui todos aqueles que não tem inteligência,linguagem,tempo ou qualquer outra característica que o inclua do lado de cá .Pode até ser que a vida dentro desta comunidade possa ser desafiadora e estimule  ação ,mas, para o iniciantes é ainda um mundo não seguro, um mundo onde os neófitos não se instalaram e se apropriaram dele.Realmente, o conceito de inclusão, pressupõe um modelo pronto onde alguém possa vir de lá para cá, sendo que o cá é um ambiente pronto e que tem características que não tem lá.Mas , eu quero ir embora, para um lugar onde todos se igualam no espaço já por mim apropriado,”vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amiga do rei”quem chegar lá estará automaticamente incluído, quem quer ir?Vamos?Em Pasárgada todos já tem um lugar garantido pela amizade prévia com o rei, será que isto acontece em outras comunidades:Ou seja, os laços já formados garantem o acolhimento e apropriação mais imediata?É lógico que sim, mas, isto não prevê que os sem laço não possa chegar, certo?
Baugman  parece querer justificar através da liquefação de valores, como por exemplo que diante da impotênceia de ação só nos resta assistir o fogo destruir Roma e no máximo tocar uma musiquinha, mas resta-nos a pergunta:o fogo pode transforar Roma?Nesta liquefação de valores as comunidades virtuais estabelecerão novas práticas de comunitarismo,novas vizinhanças, novos espaços de atuação.A ágora poderá ocupar o ciberespaço, a pracinha provinciana poderá ser substituída  ou co-existir  com os espaço virtuais já que a tônica é a diversidade dentro da totalidade.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Continuando minhas reflexões líquidas

 O grande paradoxo do comunitarismo é apregoar "é bom ser parte de uma
comunidade"mas, ainda  é preciso apelar às escolhas individuais , faço parte de um grupo mas, só faço parte deste grupo, só fui aceito e o aceito por minhas escolhas individuais, ou antes por minhas características individuais que me coletiviza.Na diversidade de idéias que subjaz o pertencimento a uma comunidade, lembro-me de que para haver inclusão temos de pensar em exclusão, já que ambas existem na dicotomia.Fazer parte de um grupo pressupõe que outros não façam, se estamos aqui é porque outros não estão.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Reflexões líquidas

Gosto de brincar com as palavras e, desde minha leitura de um capítulo de Modernidade Líquida de Bauman , que tudo que eu faço acrescento o adjetivo líquido.Minhas reflexões de hoje são absolutamente líquidas pois estão escorrendo entre os dedos do pensamento, enquanto tento prendê-las elas insistem em escorrer e fugir por entre meus pensamentos.Saio do grupo GEC , onde aprendi uma coisa importante(e líquida), os conceitos quando usados devem ser refletidos intensamente, eu me interesso por pesquisa acadêmica e não devo lançar verdades absolutas, o que mais ficou da análise da Professora Bonilla sobre o pedaço do meu projeto que ela e Salete viram  serviu antes de tudo para esclarecer o que vem sendo pontuado desde a semana passada aqui, que nenhuma verdade é absoluta antes que seja revista e negada.
O espaço foi achatado pela velocidade,o tempo não existe ou melhor existe em uma outra dimensão.Por que então que as verdades seriam absolutas?Vim para cá com o prpósito de achar respostas para minhas perguntas, vejo que aqui aprenderei antes de tudo a formular boas perguntas.Ai,meu Deus, mais inquietações.

Beijos

segunda-feira, 21 de março de 2011

A modernidade líquida

Universidade Federal da Bahia
Isabel Cristina Moreira Santos

Reflexão Pessoal sobre Modernidade líquida



O texto que apresenta o Livro A Modernidade Líquida de Bauman apresenta também o conceito importado da Física e muitas vezes utilizado pelo autor da palavra “líquida”,o que me leva a pensar nos fluidos ,mais especificamente, na capacidade de amoldamento que estes possuem.A comunidade era um espaço vigiado por olhos de vizinhas faladeiras,comadres e outros tantos vigilantes, esta comunidade foi relegada e substituída por um espaço higienizado, onde as relações sociais são filtradas por máscaras,absolutamente impolutas, onde não há espaço para o constrangimento dos sentimentos individuais,é claro que o choro vai ser resguardado em nome deste novo espaço público , mas não civil, onde isto exporia a fragilidade de todos através de uma única lágrima constrangedora derramada fora do contexto.Observem as diferenças dos velórios, nas antigas comunidades os velórios eram acontecimentos longos, de espera, de choro, de reencontros com os distantes,de atualização dos acontecimentos familiares, agora devem ser rápidos e higiênicos, poucas lágrimas para não causar mal estar nos presentes,poucas palavras pois estas são inúteis e a multivocalidade urbana deve ser negada,poucos convidados pois não é um encontro social,poucos vivos pois a morte é constrangedora e expõe nossa humanidade mesmo quando revestida com máscaras .Há, segundo Bauman, um perigo no encontro com o estranho, mas parece haver um perigo maior no encontro com o humano do ser na pós modernidade.
Os líquidos não passam incólumes nos ambientes onde circulam, por exemplo, o rio intervem na margem,e esta molda caminho do rio.Na verdade, nenhum molde foi quebrado sem que fosse substituído por outro; a nova ordem pressupõe que os indivíduos se ajustem aos nichos pré determinados ou tornem-se marginais, vagabundos ou bruxos,velhos ou pobres, qualquer espécie que não maculem os shopping center limpos e onde estranhos sorriem usando as mesmas máscaras que os tornam exatamente iguais, quem não se enquadrar neste padrão é jogado para fora dos espaços urbanos,para os caminhos tortuosos das favelas, para a invisibilidade urbana.E aí chega o questionamento maior:Até quando esta massa de invisíveis não se fará visível?A violência,a insegurança,as grades,os muros,os portões,as severas vigilância que vivemos são sintomas desta invisibilidade?O lixo humano varrido para baixo dos tapetes fora dos mapas da cidade desta população ficará invisível para sempre?
Da mesma forma como nos causa estranhamento o choro,a dor, a pobreza, acredito que estas sejam condições inerentes ao ser humano e que mesmo mascaradas ou retiradas dos mapas da
cidade ainda circulam dentro e fora do homem.

A cidade de Hazeldon segura e higienizada daqueles que fogem a homogeneidade proposta pela pos modernidade reforça a ideia de que , como todos os líquidos, esta também se amoldará ao curso natural da história,visto que , o homem possui muito mais aspectos do que supõe uma cidade sitiada pelo medo, o homem natural tem necessidade do diverso, não da diversidade de produtos e serviços nas cidades e shopping centers imaginariamente limpos das mazelas humanas oferecem , mas da diversidade de sentimentos e aventuras.Um espaço previsível não oferece ao ser humano ambiente propício a seu instinto de caçador.A coletividade vista nos templos de consumo é apenas a reunião de uma massa de seres que negam sua individualidade, a utópica negação do risco robotiza as relações dentro destes templos.Por outro lado, o homem tem também o sentimento e a necessidade de pertença a um grupo, dentro destes templos , ele sente-se entre seus pares, não no sentido coletivo ,mas no sentido de ser aceito como igual , nem que para isto ele tenha que negar-se enquanto indivíduo.A palavra comunidade passa a ter este sinônimo de pertencimento a um grupo, de ser igual aos seus na eterna busca da identidade perdida.Isto me lembra a minha pequena comunidade , onde a referência “ou donos”em nossa brincadeira são pais ,maridos ou profissões, há ainda uma profusão de Maria de Pedro , Zé Sapateiro, e outros tantos, nossas identidades são referenciadas por uma história ou por um antepassado , esta referencialidade prende seus habitantes a um tempo dando-lhe a amarra necessária para que não se percam em muitas marias ou zés, somos assim , alguém que já se apresenta com uma história e com um pertencimento como outrora nossos nomes e identidades referiam-se aos espaços e famílias. A instantaneidade compactua contra esta identidade necessária ao homem e este pertencimento..O tempo contado a partir da pós modernidade extrai do homem este sentimento de pertencimento pois tudo pode ser deixado de lado pois tudo está à mão , pronto para ser consumido, sem riscos, eu não sou mais “de” sou eu-número,eu-série,eu-sigla,eu-CPF,eu-RG,eu-cartão de crédito, tudo isto me faz pertencer a um novo grupo:daqueles que frequentam os templos de consumo,onde a entrada é permitida para os iguais,para aqueles que podem consumir ou aqueles que poderão.