terça-feira, 29 de março de 2011

Mais reflexões líquidas

Reflexão sobre Modernidade Líquida – Capítulo 5 – Comunidade

A noção de comunidade , tão apregoada nestes tempos, sempre existiu .Seus atuais defensores mais notáveis parecem ter percebido que esta palavra preenche a necessidade do homem pós moderno de pertencimento a um grupo e que e a palavra-chave que unem seus membros é a palavra projeto e que, paradoxalmente,  a sobrevivência do grupo depende do esforço pessoal dos cada um .Isto chama a atenção para tudo aquilo que nos propomos a fazer coletivamente, o discurso da autonomia, de cada um fazer a sua parte para o bem de todos, o  vestir a camisa .Vivemos, os que agora chegam a um grupo, a síndrome do não-pertencimento ,saliento que não é a rejeição, e sim o da não apropriação do espaço construído pelos que aqui já o habitam e que não pintam suas semelhanças nem as exibem,ressaltam apenas que  a comunidade pre existente é uma realização pessoal .
Esta contradição não impede o projeto comunitário ,antes ressignifica-o dentro da nova ordem social. Opostamente ao mundo liquefeito o comunitarismo apresenta-se como um viés para que as pessoas possam sentir-se seguras em companhias de iguais .Mas, os que agora chegam,demoram a ser admitidos no porto seguro dos grupos formados,afinal, o grupo não é o lar natural de ninguém , onde todos fazem parte por direito de nascimento e onde o lado de fora pode exercer atração, mas é instável e inseguro, o grupo poderá me acolher, desde que eu seja par, que eu queira fazer parte,que  possa dar ao grupo aquilo que ele precisa, que meu esforço pessoal seja favorável ao grupo etc. .A vida dentro do grupo pode parecer segura porque exclui todos aqueles que não tem inteligência,linguagem,tempo ou qualquer outra característica que o inclua do lado de cá .Pode até ser que a vida dentro desta comunidade possa ser desafiadora e estimule  ação ,mas, para o iniciantes é ainda um mundo não seguro, um mundo onde os neófitos não se instalaram e se apropriaram dele.Realmente, o conceito de inclusão, pressupõe um modelo pronto onde alguém possa vir de lá para cá, sendo que o cá é um ambiente pronto e que tem características que não tem lá.Mas , eu quero ir embora, para um lugar onde todos se igualam no espaço já por mim apropriado,”vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amiga do rei”quem chegar lá estará automaticamente incluído, quem quer ir?Vamos?Em Pasárgada todos já tem um lugar garantido pela amizade prévia com o rei, será que isto acontece em outras comunidades:Ou seja, os laços já formados garantem o acolhimento e apropriação mais imediata?É lógico que sim, mas, isto não prevê que os sem laço não possa chegar, certo?
Baugman  parece querer justificar através da liquefação de valores, como por exemplo que diante da impotênceia de ação só nos resta assistir o fogo destruir Roma e no máximo tocar uma musiquinha, mas resta-nos a pergunta:o fogo pode transforar Roma?Nesta liquefação de valores as comunidades virtuais estabelecerão novas práticas de comunitarismo,novas vizinhanças, novos espaços de atuação.A ágora poderá ocupar o ciberespaço, a pracinha provinciana poderá ser substituída  ou co-existir  com os espaço virtuais já que a tônica é a diversidade dentro da totalidade.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Continuando minhas reflexões líquidas

 O grande paradoxo do comunitarismo é apregoar "é bom ser parte de uma
comunidade"mas, ainda  é preciso apelar às escolhas individuais , faço parte de um grupo mas, só faço parte deste grupo, só fui aceito e o aceito por minhas escolhas individuais, ou antes por minhas características individuais que me coletiviza.Na diversidade de idéias que subjaz o pertencimento a uma comunidade, lembro-me de que para haver inclusão temos de pensar em exclusão, já que ambas existem na dicotomia.Fazer parte de um grupo pressupõe que outros não façam, se estamos aqui é porque outros não estão.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Reflexões líquidas

Gosto de brincar com as palavras e, desde minha leitura de um capítulo de Modernidade Líquida de Bauman , que tudo que eu faço acrescento o adjetivo líquido.Minhas reflexões de hoje são absolutamente líquidas pois estão escorrendo entre os dedos do pensamento, enquanto tento prendê-las elas insistem em escorrer e fugir por entre meus pensamentos.Saio do grupo GEC , onde aprendi uma coisa importante(e líquida), os conceitos quando usados devem ser refletidos intensamente, eu me interesso por pesquisa acadêmica e não devo lançar verdades absolutas, o que mais ficou da análise da Professora Bonilla sobre o pedaço do meu projeto que ela e Salete viram  serviu antes de tudo para esclarecer o que vem sendo pontuado desde a semana passada aqui, que nenhuma verdade é absoluta antes que seja revista e negada.
O espaço foi achatado pela velocidade,o tempo não existe ou melhor existe em uma outra dimensão.Por que então que as verdades seriam absolutas?Vim para cá com o prpósito de achar respostas para minhas perguntas, vejo que aqui aprenderei antes de tudo a formular boas perguntas.Ai,meu Deus, mais inquietações.

Beijos

segunda-feira, 21 de março de 2011

A modernidade líquida

Universidade Federal da Bahia
Isabel Cristina Moreira Santos

Reflexão Pessoal sobre Modernidade líquida



O texto que apresenta o Livro A Modernidade Líquida de Bauman apresenta também o conceito importado da Física e muitas vezes utilizado pelo autor da palavra “líquida”,o que me leva a pensar nos fluidos ,mais especificamente, na capacidade de amoldamento que estes possuem.A comunidade era um espaço vigiado por olhos de vizinhas faladeiras,comadres e outros tantos vigilantes, esta comunidade foi relegada e substituída por um espaço higienizado, onde as relações sociais são filtradas por máscaras,absolutamente impolutas, onde não há espaço para o constrangimento dos sentimentos individuais,é claro que o choro vai ser resguardado em nome deste novo espaço público , mas não civil, onde isto exporia a fragilidade de todos através de uma única lágrima constrangedora derramada fora do contexto.Observem as diferenças dos velórios, nas antigas comunidades os velórios eram acontecimentos longos, de espera, de choro, de reencontros com os distantes,de atualização dos acontecimentos familiares, agora devem ser rápidos e higiênicos, poucas lágrimas para não causar mal estar nos presentes,poucas palavras pois estas são inúteis e a multivocalidade urbana deve ser negada,poucos convidados pois não é um encontro social,poucos vivos pois a morte é constrangedora e expõe nossa humanidade mesmo quando revestida com máscaras .Há, segundo Bauman, um perigo no encontro com o estranho, mas parece haver um perigo maior no encontro com o humano do ser na pós modernidade.
Os líquidos não passam incólumes nos ambientes onde circulam, por exemplo, o rio intervem na margem,e esta molda caminho do rio.Na verdade, nenhum molde foi quebrado sem que fosse substituído por outro; a nova ordem pressupõe que os indivíduos se ajustem aos nichos pré determinados ou tornem-se marginais, vagabundos ou bruxos,velhos ou pobres, qualquer espécie que não maculem os shopping center limpos e onde estranhos sorriem usando as mesmas máscaras que os tornam exatamente iguais, quem não se enquadrar neste padrão é jogado para fora dos espaços urbanos,para os caminhos tortuosos das favelas, para a invisibilidade urbana.E aí chega o questionamento maior:Até quando esta massa de invisíveis não se fará visível?A violência,a insegurança,as grades,os muros,os portões,as severas vigilância que vivemos são sintomas desta invisibilidade?O lixo humano varrido para baixo dos tapetes fora dos mapas da cidade desta população ficará invisível para sempre?
Da mesma forma como nos causa estranhamento o choro,a dor, a pobreza, acredito que estas sejam condições inerentes ao ser humano e que mesmo mascaradas ou retiradas dos mapas da
cidade ainda circulam dentro e fora do homem.

A cidade de Hazeldon segura e higienizada daqueles que fogem a homogeneidade proposta pela pos modernidade reforça a ideia de que , como todos os líquidos, esta também se amoldará ao curso natural da história,visto que , o homem possui muito mais aspectos do que supõe uma cidade sitiada pelo medo, o homem natural tem necessidade do diverso, não da diversidade de produtos e serviços nas cidades e shopping centers imaginariamente limpos das mazelas humanas oferecem , mas da diversidade de sentimentos e aventuras.Um espaço previsível não oferece ao ser humano ambiente propício a seu instinto de caçador.A coletividade vista nos templos de consumo é apenas a reunião de uma massa de seres que negam sua individualidade, a utópica negação do risco robotiza as relações dentro destes templos.Por outro lado, o homem tem também o sentimento e a necessidade de pertença a um grupo, dentro destes templos , ele sente-se entre seus pares, não no sentido coletivo ,mas no sentido de ser aceito como igual , nem que para isto ele tenha que negar-se enquanto indivíduo.A palavra comunidade passa a ter este sinônimo de pertencimento a um grupo, de ser igual aos seus na eterna busca da identidade perdida.Isto me lembra a minha pequena comunidade , onde a referência “ou donos”em nossa brincadeira são pais ,maridos ou profissões, há ainda uma profusão de Maria de Pedro , Zé Sapateiro, e outros tantos, nossas identidades são referenciadas por uma história ou por um antepassado , esta referencialidade prende seus habitantes a um tempo dando-lhe a amarra necessária para que não se percam em muitas marias ou zés, somos assim , alguém que já se apresenta com uma história e com um pertencimento como outrora nossos nomes e identidades referiam-se aos espaços e famílias. A instantaneidade compactua contra esta identidade necessária ao homem e este pertencimento..O tempo contado a partir da pós modernidade extrai do homem este sentimento de pertencimento pois tudo pode ser deixado de lado pois tudo está à mão , pronto para ser consumido, sem riscos, eu não sou mais “de” sou eu-número,eu-série,eu-sigla,eu-CPF,eu-RG,eu-cartão de crédito, tudo isto me faz pertencer a um novo grupo:daqueles que frequentam os templos de consumo,onde a entrada é permitida para os iguais,para aqueles que podem consumir ou aqueles que poderão.