Reflexão sobre Modernidade Líquida – Capítulo 5 – Comunidade
A noção de comunidade , tão apregoada nestes tempos, sempre existiu .Seus atuais defensores mais notáveis parecem ter percebido que esta palavra preenche a necessidade do homem pós moderno de pertencimento a um grupo e que e a palavra-chave que unem seus membros é a palavra projeto e que, paradoxalmente, a sobrevivência do grupo depende do esforço pessoal dos cada um .Isto chama a atenção para tudo aquilo que nos propomos a fazer coletivamente, o discurso da autonomia, de cada um fazer a sua parte para o bem de todos, o vestir a camisa .Vivemos, os que agora chegam a um grupo, a síndrome do não-pertencimento ,saliento que não é a rejeição, e sim o da não apropriação do espaço construído pelos que aqui já o habitam e que não pintam suas semelhanças nem as exibem,ressaltam apenas que a comunidade pre existente é uma realização pessoal .
Esta contradição não impede o projeto comunitário ,antes ressignifica-o dentro da nova ordem social. Opostamente ao mundo liquefeito o comunitarismo apresenta-se como um viés para que as pessoas possam sentir-se seguras em companhias de iguais .Mas, os que agora chegam,demoram a ser admitidos no porto seguro dos grupos formados,afinal, o grupo não é o lar natural de ninguém , onde todos fazem parte por direito de nascimento e onde o lado de fora pode exercer atração, mas é instável e inseguro, o grupo poderá me acolher, desde que eu seja par, que eu queira fazer parte,que possa dar ao grupo aquilo que ele precisa, que meu esforço pessoal seja favorável ao grupo etc. .A vida dentro do grupo pode parecer segura porque exclui todos aqueles que não tem inteligência,linguagem,tempo ou qualquer outra característica que o inclua do lado de cá .Pode até ser que a vida dentro desta comunidade possa ser desafiadora e estimule ação ,mas, para o iniciantes é ainda um mundo não seguro, um mundo onde os neófitos não se instalaram e se apropriaram dele.Realmente, o conceito de inclusão, pressupõe um modelo pronto onde alguém possa vir de lá para cá, sendo que o cá é um ambiente pronto e que tem características que não tem lá.Mas , eu quero ir embora, para um lugar onde todos se igualam no espaço já por mim apropriado,”vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amiga do rei”quem chegar lá estará automaticamente incluído, quem quer ir?Vamos?Em Pasárgada todos já tem um lugar garantido pela amizade prévia com o rei, será que isto acontece em outras comunidades:Ou seja, os laços já formados garantem o acolhimento e apropriação mais imediata?É lógico que sim, mas, isto não prevê que os sem laço não possa chegar, certo?
Baugman parece querer justificar através da liquefação de valores, como por exemplo que diante da impotênceia de ação só nos resta assistir o fogo destruir Roma e no máximo tocar uma musiquinha, mas resta-nos a pergunta:o fogo pode transforar Roma?Nesta liquefação de valores as comunidades virtuais estabelecerão novas práticas de comunitarismo,novas vizinhanças, novos espaços de atuação.A ágora poderá ocupar o ciberespaço, a pracinha provinciana poderá ser substituída ou co-existir com os espaço virtuais já que a tônica é a diversidade dentro da totalidade.