sábado, 23 de abril de 2011

Afinal, o que é exclusão?

O que é exclusão?
                        Repensar o senso comum do que é exclusão significa uma rememoração de fatos sociais há muito esquecidos .O meu primeiro contato com o poder deste termo foi no anos noventa quando a Igreja Católica junto a vários movimentos sociais lançaram o Grito dos Excluídos, que normalmente ocorria na rabeira do desfile cívico do 7 de Setembro e  visava mostrar à sociedade envaidecida de suas vitórias que a história tinha produzido uma massa de seres fora de todo processo pelo qual naquele momento se ufanava .O movimento cresceu e foi sufocado pela (psedo)melhoria na qualidade de vida dos brasileiros e pelo sentido tomado por movimentos sociais  dos “sem” e  o termo exclusão foi se conformando como um extenso significado .
                     Haja vista que a neutralidade dos significados e usos dos termos não é tão neutro assim , a palavra exclusão , de cunho negativo , vem sendo desvinculada da mídia e discursos oficiais por uma mais positivamente vista que é a palavra inclusão.A expressão exclusão está vinculada a discursos diversos e  divergentes. Há, contudo, um certo sentido da expressão, incorporado ao senso comum, por conta da sua freqüente reprodução nos veículos de    comunicação   social que equivaleria  a falta de     acesso   de  comunidades    em    situação    de   desvantagem  aos   artefatos   construídos pelo homem e que garantiriam sua sobrevivência física .Quando assim o fazemos ,ampliamos o termo para Exclusão Social a unimos a um processo que coloca indivíduos e ou grupos sociais à margem da sociedade. Mas este conceito é complexo e multidimensional na medida em que não é produto de um só fator, mas coexistem, dentro da exclusão, fenômenos sociais diferenciados, tais como o desemprego, a marginalidade, a discriminação, a pobreza, o estigma…
                 A pobreza será sempre a forma mais visível de exclusão, na medida em que, por falta de recursos, o pobre é excluído de sistemas sociais básicos nos domínios do social, econômico, institucional e territorial, e das referências simbólicas abrangendo também formas de privação não material como, por exemplo ,a  situação de falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros. Dá-se ainda através de rupturas consecutivas com a sociedade nas relações afetivas, familiares, de amizade e com o mercado de trabalho e à ausência de cidadania, impedindo a participação plena na sociedade, aos seus diferentes níveis – ambiental, cultural, econômico, político e social.Também, a organização e o funcionamento dos sistemas e instituições parecem alhear-se da realidade, faltando-lhes equidade na oferta de oportunidades para todos.
                A Exclusão Social é, assim, um fato e um fenômeno social, com expressão crescente em nossa sociedade , como forte referência de grandes transformações sociais decorrentes do processo de globalização. Entre tantos aspectos ,a Inclusão Digital torna-se , dentre tantas ,uma das muitas dimensões entre as quais podemos deter nosso olhar, principalmente, devido a grande proeminência que o assunto tem tomado , devido a inserção cada vez mais veloz das TIC na sociedade.A inclusão digital deveria proporcionar ao grande contingente de  excluídos digitais ,dentro do  contexto da sociedade atual , o acesso aos processos de criação, produção e sublimação da informação em conhecimento, isto significa efetivá-los  na sociedade da informação, por meio de políticas que visem ao seu crescimento auto-sustentável de forma colaborativa e gradual, não apenas com medidas emergenciais e paliativas como tem sido as atuais políticas públicas de inclusão digital.Isto significa que o termo  inclusão digital remete à busca da reflexão do global e do local, das condições de sobrevivência (emprego, alimentação, moradia, etc.), do estímulo ao conhecimento novo e à crítica do já existente e da dimininuição das desigualdades sociais.


                     Portanto , a discussão dos termos exclusão/inclusão é contundente e ,por enquanto, finalizadora por Castel quando este se  recusa   em   utilizar   o  conceito   de   exclusão,   pois  o   considera   como   um   termo   que  perdeu sua capacidade explicativa uma vez que todos os processos são explicados da mesma forma ,para ele termo “exclusão” é uma “resposta preguiçosa” às dificuldades de problematizar os diferentes processos que atravessam a sociedade contemporânea e que fazem com que os indivíduos passem de uma situação de integração para uma situação de extrema vulnerabilidade. Podemos pensar com Castel e afirmar que o termo exclusão não é apropriado, pois indivíduos “excluídos” não estão fora da sociedade, eles fazem parte da sociedade numa posição de regulação que permite a manutenção de uma determinada forma de dominação. Podemos  também   pensar   que   o   termo   “inclusão”   tampouco   faz   sentido   se formos coerentes com este raciocínio, uma vez que não se trata de “incluir” no sistema que “exclui” mas sim de transformar a estrutura e a dinâmica sociais, portanto, não se discute a ‘inclusão’ mas sim a transformação do mundo em um lugar de homens iguais .

                


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Software Livre e Commons

A humanidade assiste terrificada às mudanças cada dia mais aceleradas em seu modo de vida,e vive , por exemplo,pela primeira vez em sua história, a ameaça de sofrer um cataclismo mundial provocado por suas próprias ações predatórias e depredatórias.A sociedade , pautada em uma concepção hegemônica sobre o direito à propriedade, lança mão de artifícios cruéis e irresponsáveis visando o lucro imediato , muitas vezes sem perceber que estes atos predatórios constroem ao longo do tempo tentáculos que terminarão por sufocá-la.
O homem tenta apropriar-se e patentear o saber agrícola,que é a base da conservação da espécie humana, destruindo os seus modos de produção naturais historicamente concebidos como bem coletivos através da imposição dos transgênicos e tenta patentear a propriedade intelectual moderna, que é de natureza colaborativa,pela imposição do software proprietário.Isto o cerca em seus dois últimos bastiões:sua individualidade e sua coletividade:na dimensão individual coloca em risco sua sobrevivência física e em sua coletividade expropria-lhe a transmissão de conhecimento que sempre ocorreu entre as gerações e no convívio entre seus pares,o que garantia a sobrevivência e continuidade da própria espécie.
Um exemplo claro desta ação predatória são as tentativas das grandes empresas de tecnologia de domínio sobre o software e o embate que se processa entre software proprietário e livre.As empresas de software proprietário ao abrirem mão da possibilidade de ter milhões de usuários colaborativamente construindo,pesquisando e disseminando o conhecimento livremente abrem mão também da própria sobrevivência a longo prazo pois a tecnologia e suas inovações se caracterizam também por serem geograficamente livres.Outro exemplo de ação predatória são as empresas que patenteiam os transgênicos: ao limitarem a produção de alimentos aumentam a fome no mundo e como consequência diminuem os consumidores de sua própria produção, decretando sua própria morte também.
Estas ações predatórias e depredatórias ultrapassam a lógica do mercado e suas consequências podem ser desastrosas para a sociedade contemporânea, a exclusão social que vem em sua esteira é a mais grave de toda história da humanidade, tendo consequências sérias pela dimensão monumental que atinge os mais frágeis elos da sociedade .Não há como pensar , nos dias de hoje, que o sistema cruel de patenteamento de sementes por grandes empresas poderá não provocar fome até mesmo em lugares onde estas empresas não atuam diretamente, isto é impossível em tempos de globalização.Também não há como pensar que alguém não será afetado pela política do software proprietário que restringe o acesso e a circulação de conhecimento e informação produzidos pelo homem.O encarecimento dos serviços e das sementes enriquecerão uma pequena parcela da população ,enquanto que milhares estarão entregues à fome e à exclusão.
Mas, o ser humano também é marcado por sua diversidade.No contraponto da ânsia de dominação e privatização da propriedade e do conhecimento, surgem vislumbres de resistência , um exemplo é o ressurgimento dos commons -espaços institucionais em que podemos usufruir,disseminar informações e conteúdos sem o aval das concessionárias manipuladoras do mercado ,onde cada usuário poderá implantar suas próprias ,ou nenhuma restrição , na disseminação do conhecimento produzido por ele individual ou coletivamente.Esta política de produção,disseminação e armazenamento livres vai de encontro às políticas mercadológicas atuais mas é,antes de tudo, uma forma de luta e resistência ideológica que poderá contribuir para superar o fosso existente entre as imposições da lógica de privatização e o direito imanente do ser humano de acesso livre aos bens e conhecimento produzido pela sociedade.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Correção do texto anterior




Implicações sociais da Web 2.0


O advento da Web 2.0 , não só na dimensão tecnológica como também em suas implicações sociais, é um marco na história da humanidade.O processo de comunicação mediado por computador deixou de ser apenas reativo e passa a ser interativo, isto é , todos podem também ser produtores ou co autores de produtos comerciais,culturais ,científicos ou sociais.A web 2.0 potencializou as relações afetivas com a melhoria das redes sociais,melhorou a circulação e a produção do conhecimento,integrou mundos antes distantes.
Atualmente o conhecimento não se localiza geograficamente nos centros,como era no passado recente , espalha-se perifericamente com a mesma qualidade.Por exemplo,ao adquirir um notebook que veio com o sistema Linux e de maneira nenhuma se adequava ao modem para internet o que causou transtornos horríveis e me obrigava a levar a máquina a todos os lugares onde alguém pudesse me ajudar e nada se resolvia , a loja já estava pronta para receber a bendita máquina de volta, quando eu precisei ir ao interior e meu ex aluno apaixonado por informática instalou a internet em questão de minutos,abismada pela surpresa de que um problema tecnológico não fora resolvido na capital(teria uma pouco de geocentrismo de minha parte nestes tempos de desterritorialização?)perguntei ao meu háker interiorano qual a solução e ele com a mesma cara de aluno me disse que as instruções estavam no modem e não no computador e que isto só foi possível porque as informações que ele necessitava foram trocadas nas comunidades de defesa do software livre.
Disto se conclui que a usabilidade da web 2.0 como plataforma requer um revisão de colaboração onde todos, independente da posição geográfica ,podem participar da construção e disseminação do conhecimento de forma colaborativa .Isto exige,por exemplo, a reformulação da arquitetura da participação, onde alguém ou grupo pode exercer uma mediação que permita aos participantes postar , construir,produzir,disseminar aquilo a que o grupo se propôs, retirando as possíveis vândalos do ambiente que poderiam postar informações erradas ou destruir material já postado.Tem de haver uma valorização do trabalho coletivo, e de reconhecimento do trabalho coletivo como forma de compartilhamento de informações e de serviços, nestes tempos de comunicação ubíqua que se dá em toda a parte.
Conceitos como interatividade, conectividade e colaboratividade ganharam dimensões mais amplas com o advento da web 2.0 , transformando as relações sociais em proporções nunca vista na humanidade ,e as inquietudes se fazem maiores a cada dia, na esteira dos benefícios surgem contrapontos como a invasão de privacidade, os crimes virtuais,a autoria e outros tantos .Porém , o ciclo veloz da história mostra que é preciso estar aberto à mudanças e que agora estas mudanças se dão cada vez mais de forma acelerada .


segunda-feira, 4 de abril de 2011

MAIS REFLEXÕES LÍQUIDAS


Reflexões cada vez mais líquidas

O advento da Web 2.0 , não só na dimensão tecnológica como também em suas implicações sociais, é um marco na história da humanidade.O processo de comunicação mediado por computador deixou de ser apenas reativo e passa a ser interativo, isto é , todos podem também ser produtores ou co autores de produtos comerciais,culturais ,científicos ou sociais.A web 2.0 potencializou as relações afetivas com a melhoria das redes sociais,melhorou a circulação e a produção do conhecimento,integrou mundos antes distantes.Por exemplo, atualmente o conhecimento não se localiza geograficamente nos centros , espalha-se perifericamente com a mesma qualidade,comprei um notebook que veio com o sistema Linux e de maneira nenhuma se adequava ao modem para internet o me causou transtornos, levava a máquina a todos os lugares onde alguém pudesse me ajudar e nada resolvido , a loja já estava pronta para receber a bendita de volta, quando eu precisei vir ao interior e meu ex aluno apaixonado por informática instalou a internet em questão de minutos,abismada pela surpresa de que um problema tecnológico não foi resolvido na capital(geocentrismo em tempos de desterritorialização?)perguntei ao meu háker interiorano qual a solução e ele com a mesma cara de aluno me disse que as instruções estavam no modem e não no computador, tudo bem. A usabilidade da web 2.0 como plataforma requer um re-visão de colaboração onde todos independente da posição geográfica podem participar da construção e disseminação do conhecimento de forma colaborativa.
Tudo isto exige a reformulação da arquitetura da participação, onde alguém ou grupo possa exercer uma mediação que permita aos participantes postar e construir aquilo a que o grupo se propos, retirando as possíveis vândalos,