O que é exclusão?
Repensar o senso comum do que é exclusão significa uma rememoração de fatos sociais há muito esquecidos .O meu primeiro contato com o poder deste termo foi no anos noventa quando a Igreja Católica junto a vários movimentos sociais lançaram o Grito dos Excluídos, que normalmente ocorria na rabeira do desfile cívico do 7 de Setembro e visava mostrar à sociedade envaidecida de suas vitórias que a história tinha produzido uma massa de seres fora de todo processo pelo qual naquele momento se ufanava .O movimento cresceu e foi sufocado pela (psedo)melhoria na qualidade de vida dos brasileiros e pelo sentido tomado por movimentos sociais dos “sem” e o termo exclusão foi se conformando como um extenso significado .
Haja vista que a neutralidade dos significados e usos dos termos não é tão neutro assim , a palavra exclusão , de cunho negativo , vem sendo desvinculada da mídia e discursos oficiais por uma mais positivamente vista que é a palavra inclusão.A expressão exclusão está vinculada a discursos diversos e divergentes. Há, contudo, um certo sentido da expressão, incorporado ao senso comum, por conta da sua freqüente reprodução nos veículos de comunicação social que equivaleria a falta de acesso de comunidades em situação de desvantagem aos artefatos construídos pelo homem e que garantiriam sua sobrevivência física .Quando assim o fazemos ,ampliamos o termo para Exclusão Social a unimos a um processo que coloca indivíduos e ou grupos sociais à margem da sociedade. Mas este conceito é complexo e multidimensional na medida em que não é produto de um só fator, mas coexistem, dentro da exclusão, fenômenos sociais diferenciados, tais como o desemprego, a marginalidade, a discriminação, a pobreza, o estigma…
A pobreza será sempre a forma mais visível de exclusão, na medida em que, por falta de recursos, o pobre é excluído de sistemas sociais básicos nos domínios do social, econômico, institucional e territorial, e das referências simbólicas abrangendo também formas de privação não material como, por exemplo ,a situação de falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros. Dá-se ainda através de rupturas consecutivas com a sociedade nas relações afetivas, familiares, de amizade e com o mercado de trabalho e à ausência de cidadania, impedindo a participação plena na sociedade, aos seus diferentes níveis – ambiental, cultural, econômico, político e social.Também, a organização e o funcionamento dos sistemas e instituições parecem alhear-se da realidade, faltando-lhes equidade na oferta de oportunidades para todos.
A Exclusão Social é, assim, um fato e um fenômeno social, com expressão crescente em nossa sociedade , como forte referência de grandes transformações sociais decorrentes do processo de globalização. Entre tantos aspectos ,a Inclusão Digital torna-se , dentre tantas ,uma das muitas dimensões entre as quais podemos deter nosso olhar, principalmente, devido a grande proeminência que o assunto tem tomado , devido a inserção cada vez mais veloz das TIC na sociedade.A inclusão digital deveria proporcionar ao grande contingente de excluídos digitais ,dentro do contexto da sociedade atual , o acesso aos processos de criação, produção e sublimação da informação em conhecimento, isto significa efetivá-los na sociedade da informação, por meio de políticas que visem ao seu crescimento auto-sustentável de forma colaborativa e gradual, não apenas com medidas emergenciais e paliativas como tem sido as atuais políticas públicas de inclusão digital.Isto significa que o termo inclusão digital remete à busca da reflexão do global e do local, das condições de sobrevivência (emprego, alimentação, moradia, etc.), do estímulo ao conhecimento novo e à crítica do já existente e da dimininuição das desigualdades sociais.
Portanto , a discussão dos termos exclusão/inclusão é contundente e ,por enquanto, finalizadora por Castel quando este se recusa em utilizar o conceito de exclusão, pois o considera como um termo que perdeu sua capacidade explicativa uma vez que todos os processos são explicados da mesma forma ,para ele termo “exclusão” é uma “resposta preguiçosa” às dificuldades de problematizar os diferentes processos que atravessam a sociedade contemporânea e que fazem com que os indivíduos passem de uma situação de integração para uma situação de extrema vulnerabilidade. Podemos pensar com Castel e afirmar que o termo exclusão não é apropriado, pois indivíduos “excluídos” não estão fora da sociedade, eles fazem parte da sociedade numa posição de regulação que permite a manutenção de uma determinada forma de dominação. Podemos também pensar que o termo “inclusão” tampouco faz sentido se formos coerentes com este raciocínio, uma vez que não se trata de “incluir” no sistema que “exclui” mas sim de transformar a estrutura e a dinâmica sociais, portanto, não se discute a ‘inclusão’ mas sim a transformação do mundo em um lugar de homens iguais .
Imagem disponível em http://blig.ig.com.br/diversaocombomhumor/2009/04/10/inclusao-digital/

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