terça-feira, 17 de maio de 2011

O processo de autoria em tempos de letramento


Diante dos novos contextos e emergências sociais tornam-se necessárias palavras que passem a nomear adequadamente estas novas demandas discursivas .Isto acontece, por exemplo, quando o termo alfabetização , associado à aquisição da tecnologia escrita , não comporta mais a amplitude das diversas formas de realização da comunicação humana hoje realizadas através das modernas tecnologias , surgindo daí a necessidade de usarmos um termo mais amplo como letramento que apesar de gerar controvérsias amplia o significado de alfabetização .Dentro desta perspectiva mais ampla, o termo letramento põe o leitor imerso em mundo de signos escritos ou não, com múltiplas significações e com os quais ele pode interagir, intervir e reconstruir o próprio texto.
O leitor que até um tempo atrás era um simples consumidor do produto feito pelo autor , passa a ter um outro papel o de co-autor, podendo interferir no texto , se apropriar dele e dá-lhe novas significâncias, o que não quer dizer a cópia simples.O processo de co-autoria requer uma interferência no texto, o processo de significação é mais que a decodificação do texto(alfabetização) é a apropriação ativa(letramento) onde o leitor/autor passa a atuar,seja na construção do significado trazendo sua experiência e expectativas tanto quanto na atuação direta do texto , modificando-o.
Esta mudança na relação leitor/texto parece ter provocado uma ocultação da pessoa do autor, que deixou a primazia do direito divino de escrever e desapareceu a partir do momento que outras pessoas também puderam e passaram a atuar em sua produção.Desta forma, o aparato tecnológico oferecido pela cultura digital,proporcionou estas possibilidades de imbricamento nas funções de leitor e autor o que só pode ser possível também pelo entrelaçamento dos processos de alfabetização e letramento,que permitem ao leitor/co-autor não só decodificar o texto mas também decodificar e interferir no mundo.



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terça-feira, 10 de maio de 2011

Mobilidade


As tecnologias móveis provocaram uma revolução no modo de vida dos brasileiros.Mesmo sem analisarmos a falta de acesso a elas que ainda afeta milhões , não há como ignorarmos este fenômeno da atualidade proporcionado pelo acentuado desenvolvimento tecnológico que se inseriu em todas as camadas da população, independente da classe econômica.
A convergência de diversas funções em aparelhos cada vez mais modernos proporcionam aos usuários o acesso quase ilimitado tanto à informação quanto a arquivos pessoais e através deste aparelhos todos podem estar conectados, aliás estar conectado significa “estar no mundo” pertencer a um mundo onde a informação e o conhecimento circulam aparentemente sem amarra,navegar pelo mar da internet em portos cada vez mais, menores e multifuncionais.
Porém, no contexto educacional a realidade é bem diferente, enquanto o mundo caminha a passos largos para a conectividade , a escola mantem-se quase à revelia destas mudanças, as políticas públicas de inclusão digital para a educação , quando conseguem sair do papel já estão em adiantado estágio de defasagem tecnológica.De um lado um discurso bonito proferido em cartilhas e documentos oficiais , e ,no entanto,há a prática.Mesmos os bonitos discursos oficiais deixam nas entrelinhas questões em aberto que vão desde ações que põem o direito do povo abaixo de interesses das grandes empresas de telecomunicações ,até a prática de censura prévia feita pelas escolas a sites e conteúdos que não são “educativos”, passando por formação de professores,conceitos deturpados e ou deteriorados,defasagem na produção da tecnologia e do conteúdo,entre muitas mais.Um bom exemplo disto é o único programa de tecnologia móvel do governo brasileiro aplicado à educação, o UCA, ainda não ter sido implantado e já estar defasado tecnologicamente. 
Conectividade e educação parecem estar unidas em sua gênese de transformar a sociedade mas, devido a falta de seriedade na execução de políticas públicas efetivas e eficazes para a inclusão digital, uma a educação , parece estar em lado oposto a outra, a conectividade.

segunda-feira, 9 de maio de 2011


Co-labor-ação X Co-operar-ação




Cotidianamente usamos os termos colaboração e cooperação indistintamente ,porém , a existência de dois termos diferentes já sugere que eles tenham características distintas. Dentro do cenário da cultura digital o trabalho coletivo torna-se cada vez mais independente da presença física dos colaboradores, alcançando em certos casos a total indiferença relativa à sua localização geográfica e permitindo grande flexibilidade de horário ,e consequentemente ,o uso cristalizado destes termos como sinônimos nos impõe resgatar questionamentos e tentar diferenciá-los,defini-los,caracterizá-los e , principalmente, relacioná-los com a aprendizagem mediada pelas Tic.

Colaborar (co-labore) significa trabalhar junto, que implica no conceito de objetivos compartilhados e uma intenção explícita de somar algo - criar alguma coisa nova ou diferente através da colaboração, se contrapondo a uma simples troca de informação ou passar instruções. Cooperação é definida como co-operação, isto é cooperar na ação é operar em comum.
Existe um conjunto variado de aspectos que distinguem os conceitos de cooperação e colaboração. Percebemos que a diferença fundamental entre os conceitos de colaboração e cooperação reside no fato de que para haver colaboração o indivíduo deve interagir com o outro existindo ajuda - mútua ou unilateral. Para existir cooperação deve haver interação, colaboração mas também objetivos comuns, atividades e ações conjuntas e coordenadas. A atividade colaborativa é antes de tudo mais voluntária, assenta em fatores de motivação intrínseca, apela à autonomia e combina processos de trabalho individual e coletivo. A colaboração possui duas forças de impulsão inter relacionadas: o grupo, como agente de apoio individual, e o indivíduo, cujo envolvimento para colaborar repousa no seu interesse em partilhar com o grupo a realização das tarefas.Em relação à realização da tarefa, a cooperação, contrariamente à colaboração, pressupõe uma tarefa distribuída entre os vários elementos do grupo de trabalho. Na cooperação a ênfase recai na realização da tarefa pelo grupo, baseada em subtarefas de cada um.
O trabalho colaborativo não é a soma ou justaposição dos trabalhos individuais, são necessárias uma maior implicação do grupo, estabelecimento de objetivos comuns e coordenação da atividade,este tipo de trabalho tornou-se nos ambientes virtuais um fenômeno cada vez mais frequente e pode ser visto tanto como uma estratégia pedagógica tanto quanto, como uma filosofia ou estilo de vida, um bom exemplo é a comunidade de prática que é constituída por uma comunidade virtual de aprendizagem, na qual se assume uma postura problematizadora e se articulam interesses e objetivos comuns, ações, diálogos, experiências, discursos reflexivos e histórias compartilhadas, possibilitando implicações para uma possível ressignificação da prática da aprendizagem, agora construída coletivamente.
Constata-se que a cooperação e a colaboração têm uma importância crescente nos modernos contextos educativos, tanto em processos de formação inicial e continuada de professores, ou qualquer grupo profissional, como também dentro das escolas. Essas comunidades podem ser formadas por professores e estudantes, caracterizando-se em espaços formativos, nos quais torna-se possível o compartilhamento de experiências, ideias, informações, materiais, conceitos, conhecimentos, entre outros, podendo propiciar o desenvolvimento e a transformação da prática pedagógica,onde todos passam a atuar em ambientes virtuais de aprendizagem e criam uma nova modalidade de interação .Neste novo ambiente de aprendizagem, os alunos aprendem a potencializar os recursos de uma forma cooperativa, nele enfoque fundamental é o processo, é a percepção de que o aluno passa a ser um elemento privilegiado, capaz de imaginar, criar e interagir. Cabe ao educador, intermediado pelas novas tecnologias, instigar, motivar, desafiar e orientar este processo de construção conjunta e constante.